terça-feira, 14 de julho de 2015

viajar-te

acredito que se viajar o tempo suficiente
chego às noites onde te escondes
se esgrimir um verso tão alto como a fantasia
chego à acidez da tua língua,
se escrever como quem molha todas as arestas do corpo
danço sem morada
e sei que por esta altura
o perfume da nossa amizade engravidou a lua.

que voar é engolir-te enquanto engulo o mundo

que caminhar o tempo suficiente
me leva às ruínas onde me desejas
aos templos onde cada imagem tua é uma imagem de mim

se for livre é para me comprometer a cravar o teu rosto em cada som

para te deixar lamber
o mel que me brota dos poros
o álcool que me cresce dos sonhos
se deixar que me toques é porque quero que ouças
todos os meus medos.

Lisboa

08.07.2015

Sara F. Costa

2 comentários: